quarta-feira, 15 de janeiro de 2014


Velejadores encontram pirarucu de 3 metros no Rio Amazonas

Peixe foi encontrado em lago na área de várzea de Santarém.
Moradores fazem monitoramento da pesca do pirarucu no local.

 

Pirarucu Santarém (Foto: Erik Jennings)Pirarucu pesava mais de 120 kg.
(Foto: Arquivo Pessoal/Erik Jennings)
Velejadores encontraram um pirarucu de 3 metros em um lago na área de várzea Pixuna do Tapará, margem esquerda do Amazonas, neste sábado (11). No local, que fica distante cerca de uma hora de barco de Santarém, oeste do Pará, há um projeto de manejo de pirarucus que vivem em ambientes selvagens. "Nós temos uns grupos que revezam a cada noite aqui no Pixuna, eles fazem o monitoramento da pesca do pirarucu", explicou o líder comunitário Alacid Mota.
O médico neurocirurgião Érik Jennings, um dos velejadores que estava no local em que o pirarucu foi encontrado, contou que o peixe estava morto. "O líder da comunidade abriu e examinou o peixe, mas não encontrou nenhum motivo externo para sua morte. Provalmente, morreu em decorrência de alguma patologia natural", ressaltou.
Segundo Mota, o pirarucu pesava mais de 120 kg e, após ser examinado, foi distribuído aos moradores de Pixuna do Tapará. Ele contou ao G1 que há muitos anos não encontra um pirarucu com essas medidas. "Ele é um peixe grande de natureza, mas, de muito tempo para cá que eu não vejo um desse, é muito raro encontrar um peixão desse tamanho", destacou.
O professor e pesquisador da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) Tony Braga, ressalta que o pirarucu, da espécie Arapaima Gigas, diminuiu em quantidade nas últimas décadas, "mas há trabalhos na comunidade que fazem com que ele volte a natureza em maior quantidade".
Quanto ao tamanho do pirarucu, o professor destaca que não é mais comum encontrar espécies tão extensas. "Era muito comum encontrar nesse tamanho, esse animal, provavelmente, até na década de 70, mas com a comercialização isso mudou. Conforme a cidade foi aumentando, eles foram diminuíndo", ressaltou Braga. "No período em que nós estamos, esse animal começa a se reproduzir com 1,5 m. Por isso que a legislação que permite a captura deste animal, autoriza a captura a partir de 1,5 m, pois isso mostra que esses animais já podem partir da natureza, deixando seus filhotes", completou Braga.
O pirarucu, também conhecido como o bacalhau da Amazônia, é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Uma instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 2004 estabelece a proibição da captura, comercialização e o transporte do pirarucu nos Estados do Amazonas, Pará, Acre e Amapá, no período de 1º de dezembro a 31 de maio.
Segundo o Núcleo de Pesca do Ibama, o pirarucu está em fase de extinção, por isso existem criadores comerciais e foi elaborada uma normatização padronizada que delega a metragem de comercialização específica do peixe.
Pirarucu Santarém 2 (Foto: Erik Jennings)Espécies maiores estão cada vez menos comuns na Amazônia

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