quinta-feira, 2 de junho de 2016

Em audiência em Itaituba, Ibama diz que aguarda posição definitiva da Funai sobre usina no Tapajós

Em audiência em Itaituba, Ibama diz que aguarda posição definitiva da Funai sobre usina no Tapajós
O Ministério Público Federal (MPF) no Pará promoveu, em Itaituba, no oeste do Pará, audiência pública para discutir os impactos das barragens projetadas para o rio Tapajós, um dos principais afluentes do Amazonas, na região oeste do Pará.
Em meio a pronunciamentos de cientistas, ambientalistas e povos e comunidades afetados, representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apresentaram a situação atual do licenciamento da usina. “Não existe mais próximo passo desse processo dentro do Ibama. Agora esperamos a manifestação conclusiva da Funai”, disse Hugo Américo, superintendente do órgão no estado.

O Ibama suspendeu oficialmente o licenciamento da usina São Luiz do Tapajós no último mês de abril, após receber pareceres técnicos da Funai que mostravam impedimentos constitucionais para a continuidade do processo. Tais pareceres somente foram anexados ao processo de licenciamento junto ao Ibama após reunião entre o MPF e a FUNAI, em fevereiro deste ano. A Constituição brasileira veda a remoção de povos indígenas de suas terras originárias e, após um longo atraso provocado por pressões do setor elétrico, finalmente a Funai reconheceu como indígena o território de Sawré Muybu, que seria alagado em caso de construção da barragem. “O parecer da Funai sobre a usina cumpre a Constituição”, disse a representante da instituição, Tatiana Fajardo. 

Fajardo também ressaltou que mesmo que a usina seja completamente paralisada, já houve impactos sobre as populações indígenas, até mesmo na confecção dos estudos, que só foram realizados com forte presença de homens armados da Força Nacional na região. Houve conflitos entre índios e pesquisadores que entraram sem autorização em suas terras e a pressão sobre lideranças por parte de  representantes do governo causou discórdias entre os Munduruku,

“A questão indígena é preponderante agora e trava o processo”, disse o superintendente, que foi muito cobrado pelos presentes, principalmente indígenas e ribeirinhos, sobre um cancelamento defintivo do projeto de São Luiz do Tapajós. “Nós já tivemos impactos, vocês deviam ter cancelado desde o começo. A gente não quer suspensão, quer o cancelamento”, disse Alessandra Akai Munduruku. 

A Funai enviou ao Ibama um parecer técnico e outro jurídico. O jurídico sustenta que há obstáculo na Constituição que impede prosseguir o licenciamento da usina. “O parecer diz que o licenciamento carece de legalidade. A posição da Funai está clara: o processo não pode prosseguir porque há ilegalidade”, disse Tatiana Fajardo.

Os pareceres da Funai, assim como a suspensão do licenciamento pelo Ibama, respondem a reivindicações que os índios Munduruku vem expondo à sociedade brasileira desde o início do licenciamento da usina São Luiz do Tapajós. O MPF também apontou à Justiça em ações judiciais as ilegalidades da usina, agora admitidas na esfera administrativa. “Inconstitucionalidade não se repara com suspensão e sim com cancelamento”, disse durante a audiência o procurador da República Camões Boaventura. 

Críticas – Durante toda a audiência, que não teve a presença do setor elétrico – convidados, nem Eletrobrás, nem Ministério de Minas e Energia mandaram representantes – cientistas, autoridades, ambientalistas e população local se revezaram em críticas ao projeto da usina e temores provocados pelas outras experiências com hidroelétricas na Amazônia, principalmente as barragens construídas no Xingu, Tocantins, Madeira e Teles Pires. 

O médico Erik Jennings e a professora Liz-Carmen Pereira, ambos estudiosos dos efeitos do mercúrio na população do Tapajós, deram um panorama do que pode acontecer com a construção de barragens no rio, onde o problema já é considerado grave por causa da mineração e recebe atenção de pesquisadores tanto da Amazônia como de outros países, a exemplo do Canadá e do Japão. “Essa usina que querem construir não vai ser de produção só de energia, vai ser uma usina de produção de metilmercúrio", diz Erik Jennings, médico e estudioso do tema. O solo da Amazônia em geral é rico em mercúrio e o alagamento de áreas torna esse mercúrio, na natureza inerte, em um veneno violento. “Barragem e mercúrio podem resultar em uma catástrofe ambiental, disse a professora Liz-Carmen.

Danicley Aguiar do Greenpeace, que coordenou a realização de uma análise sobre o estudo de impactos ambientais da usina, fez várias críticas ao documento apresentado pelas empreiteiras ao Ibama. “O estudo de impacto ambiental não apresenta a totalidade dos impactos e se você não define corretamente os impactos, é impossível apontar a mitigações. Sobre povos indígenas e ribeirinhos o estudo é tendencioso, procura invisibilizar as populações ribeirinhas e minimizar os impactos aos indígenas”, disse. 

O assessor do MPF, Rodrigo Oliveira, que acompanha desde 2012 os esforços dos índios Munduruku para terem respeitado o direito à consulta prévia, livre e informada prevista na Convenção 169 apontou os vários subterfúgios do governo para não cumprir a Convenção. "Desde 2012 há decisão judicial ordenando a consulta. Se tivessem iniciado aí, já teriam feito uma consulta apropriada", diz Oliveira. A consulta apropriada, prevista na Convenção 169, exige respeito aos costumes e à língua, assim como à organização política dos consultados.

Iury Paulino, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Letícia Arthuzzo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), expuseram ao público o grave passivo humano e ambiental provocado pela usina de Belo Monte no Xingu. Paulino pediu ao superintendente do Ibama que se cancele qualquer novo empreendimento até que o estado consiga resolver os problemas que causou em Altamira e Tucuruí. “A construção de barragens segue os mesmos métodos de Tucuruí e Belo Monte. A mesma violação de direitos. O atingido é considerado um custo, não uma pessoa. Para um grande empreendimento, é um custo a ser eliminado", disse.


Ministério Público Federal no Pará
Assessoria de Comunicação
(91) 3299-0148 / 8402-2708 / 8403-9943
prpa-ascom@mpf.mp.br
http://www.mpf.mp.br/pa
http://twitter.com/MPF_PA

terça-feira, 31 de maio de 2016

Diretor do hospital de Rurópolis é pai dos donos da clínica que ganhou licitação milionária

Blog do Jeso

Diretor do hospital de Rurópolis é pai dos donos da clínica que ganhou licitação milionária, Os médicos Roberto e Gláucia Wanderley com a vereadora Paula Genuíno
Os médicos Roberto e Gláucia com a 
vereadora Paula Genuíno (centro)
Os donos da clínica com sede na cidade de no Ceará de Jeriquaquara, e que ganhou uma licitação de 1,1 milhão de reais em Rurópolis são filhos do diretor clínico do único hospital público da cidade.

José Roberto Lima Wanderley, médico ocupante do cargo, é pai dos irmãos Abel e Roberta Wanderley, proprietários da Jijoclin Clínica Médica, conforme o blog revelou quinta-feira, 26.

Doutor Roberto, como é mais conhecido na cidade, ganha salário em torno de 40 mil reais/mês da prefeitura.

Ele ocupa o cargo desde outubro de 2014, por nomeação do atual prefeito Pablo Genuíno (PSDB).

Casada com Roberto e mãe dos donos da Jijoclin, a médica Danildes Gláucia Gomes Wanderley também trabalha no Hospital Municipal de Rurópolis.
Por determinação do juiz Flávio Lauande, o contrato da prefeitura com a clínica cearense e com a médica Nathalia Silva Pena, no valor de R$ 1.134.000,00, foi suspenso, por suspeita de irregularidades.

A decisão liminar (provisória) foi proferida no último dia 20.

Outro lado

O blog tentou contato o prefeito Pablo Genuíno. Mas ele não atendeu as ligações.

A secretaria municipal de Saúde, Everalda Moura, ao ser informada sobre o conteúdo da matéria, desligou o celular, e não mais atendeu as reiteradas ligações do blog.

Gilberto Kiss, assessor de imprensa da Prefeitura de Rurópolis, alcançado pelo blog, disse que o prefeito iria se pronunciar sobre o caso ainda hoje.

Roberto Wanderley, contatado pelo blog através do hospital (093-35431688), não poderia falar naquele momento por se encontrar no consultório, segundo informou o atendente.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Falta de chuva mantém nível das águas do Tapajós estável.

De acordo com o subcomandante, capitão Antonio Neto, até o dia 10 de maio o rio registrou uma elevação em média de 15 centímetros por semana. “Nas últimas três semanas o rio registrou em média uma elevação de 1 a 2 centímetros, o que é considerado estável. Aparentemente, o rio não demostra sinais que vai subir mais, mas temos que aguardar para temos essa certeza”.
O capitão explicou que isso é consequência da escassez de chuvas tanto nas regiões onde estão localizadas as nascentes quanto na região oeste do estado. “A chuva que tem caído aqui é muito fraca e não impactam diretamente o nível. A subida das águas aqui é consequência também das chuvas nas nascentes”. Neto ressaltou que a média está abaixo da registrada no mesmo período no ano de 2015.
O acompanhamento é feito diariamente pela Capitania Fluvial por meio de uma régua que fica em frente à cidade. A medição é sempre realizada às 12h.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Policia Militar prende lideres de invasão em Itaituba, PA

Na manhã desta terça feira, 24, policiais militares do Grupo Tático Operacional foram acionados pelo empresário “Paulinho da Avenida”. 

A denuncia era de que desde domingo várias pessoas estavam invadindo sua terra, localizada nas proximidades do Parque de Exposição Hélio Mota Gueiros. Quando os policiais chegaram ao local algumas pessoas ainda estavam no local demarcando a terra para tirar seus terrenos. Dos que estavam no local 08 homens considerados lideres da invasão foram levados para a delegacia de policia. 
Eles não disseram quem começou a invasão, disseram que souberam do movimento e foram ate ao local para se aventurarem em pegar um terreno, alegaram não terem casa própria.  Em entrevista a nossa reportagem o dono da área, disse que, foi avisado por um dos seus funcionários que sua terra estava sendo invadida, foi quando começou a tomar as providencias, inclusive mostrando aos invasores que a terra tem documento, porem eles não deram importância; “Paulinho da Avenida”, disse também que se sentiu ameaçado pelos invasores por isso procurou a policia. Os homens presos, foram identificados, qualificados e liberados em seguida, confesso que esse seria o caminho a ser seguido em Trairão.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Principal ITAITUBA: Seminário debate impactos dos grandes projetos na Bacia do Tapajós

Nesta segunda-feira (23) iniciou, em Itaituba, no oeste do Pará, o Seminário “Impactos, desafios e perspectivas dos Grandes Projetos na Bacia do Tapajós”.
O evento é promovido pelo Ministério Público do Pará por meio do Centro de Apoio Operacional Cível (CAO Cível) e Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (Caoma) em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) por meio da Clínica de Direitos da UFPA com apoio da Fundação Ford, Ministério Público Federal e promotores de justiça locais. O Seminário segue até o dia 24 no Parque de Exposição Hélio da Mota Gueiros.

O foco principal são os impactos aos municípios que compõem a Bacia- Santarém, Itaituba, Belterra, Placas, Aveiro, Mojui dos Campos, Novo Progresso, Juruti, Jacareacanga, Rurópolis e Trairão.O Grupo de Trabalho (GT) da Bacia do Tapajós, criado em fevereiro de 2016 pelo MPPA, tem como coordenadores gerais o CAO-Cível e o Caoma e como coordenadores regionais as promotoras de Justiça Lílian Furtado e Ione Missae, que atuam nos municípios. O público alvo são pessoas e instituições interessadas na discussão dos impactos, desafios e perspectivas dos grandes projetos na região- estudantes, professores e pesquisadores, órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais.

O credenciamento iniciou às 8h, na segunda-feira (23), e a abertura oficial foi às 10h, com a presença do Procurador Geral de Justiça do Pará, Marcos Antônio Ferreira das Neves e representantes do Governo do Estado, MPF, Justiça Federal e Estadual, Clínica de Direitos Humanos da Amazônia/UFPA, Igreja Católica, prefeitura de Itaituba, do Consórcio de Municípios do Tapajós, Assembleia Legislativa do Pará e da OAB em Itaituba.Além da comunidade em geral, estarão representadas instituições e movimentos sociais interessados na discussão dos impactos, além de estudantes, professores e pesquisadores, órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, povos e comunidades tradicionais, como o representante do povo Munduruku, Juarez Saw Munduruku, e Ageu Lobo Pereira, da comunidade Montanha Mangabal.

De acordo com a promotora de justiça Lilian Braga, o Ministério Público viu a necessidade de discutir com a população desses municípios sobre os impactos e informar corretamente as populações. “Nossa intenção é qualificar a informação, para que a comunidade possa se posicionar, acompanhar e intervir nos procedimentos. O evento teve a presença de lideranças indígenas, quilombolas e outros, inclusive de Altamira, que passou por processo semelhante. Precisamos acompanhar o licenciamento e esse é o momento propício para a comunidade discutir”, ressalta.

Grupos de TrabalhoNo segundo dia do seminário três Grupos de Trabalhos (GTs) serão realizados, de 8h às 12h, paralelo às mesas redondas. No GT1, será trabalhado o tema “Gestão pública e grandes projetos”, com objetivo principal de debater com gestores públicos o planejamento para gerenciar os efeitos diretos e indiretos que serão vivenciados em razão dos grandes projetos de empreendimentos previstos para a Bacia do Tapajós.O tema do GT2- “Grandes empreendimentos e pequenos empreendedores” vai promover diálogo sobre o desenvolvimento local e arranjos econômicos a partir das perspectivas de implantação de grandes projetos.

O GT 3 traz o tema “Violências & Conflitos urbanos e rurais”, para debater com o Poder Público e sociedade civil os desafios para enfrentar e resolução conflitos urbanos e rurais gerados por grandes projetos. No GT, serão abordados temas como: violência urbana, êxodo rural, prostituição infantil, disputas territoriais e de recursos naturais, dentre outros.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Crime Macabro: Cozinheiro Mata e decepa cabeça de vaqueiro no interior do Pará

AVISO IMPORTANTE: IMAGENS FORTES - PROIBIDAS PARA MENORES. VAQUEIRO TEVE A CABEÇA CORTADA E JOGADA NO RIO.
O crime aconteceu no último sábado, (07), no município de Medicilandia, interior do Pará, quando uma equipe de tropeiros, que conduzia cerca de 1.200 bezerros pela rodovia Transamazônica, ao chegar sobre a ponte do km 108, dois da equipe, o vaqueiro e o cozinheiro, se desentenderam. Então o  cozinheiro acabou matando o colega de trabalho com um tiro, e depois ainda decepou a cabeça da vítima, jogando dentro do rio, onde a tropa da boiada estava acampada para passar a noite. A polícia já apura as circunstâncias do crime e busca prender o acusado.

terça-feira, 10 de maio de 2016

TSE está sem recursos suficientes para eleições municipais de outubro

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) está sem recursos suficientes para realizar as eleições municipais de outubro. De R$ 750 milhões que estavam previstos no orçamento, 35% foram cortados pelo Congresso Nacional, num total de R$ 256,6 milhões. 


PIRES na mão
De acordo com o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que assume na quinta (12) a presidência do TSE, a situação é grave e precisa ser resolvida "com urgência". Ou o pleito estará ameaçado. 

 
SEM VOZ
Ele afirma que a equipe do TSE está sem interlocução no governo, já que boa parte dos dirigentes de órgãos do Executivo, com o impeachment, já está deixando seus cargos. 

 
CONTA BANCÁRIA
Os parlamentares fizeram cortes também no orçamento ordinário da corte eleitoral, de R$ 234 milhões, suspendendo contratações e verbas previstas para investimentos. Na época em que reduziram as verbas do tribunal, eles triplicaram os recursos do fundo partidário, que saltou para cerca de R$ 800 milhões. 


Fonte: Folha